Saudades são jardins escondidos no fundo do nosso pensamento. Leio essa mensagem exposta no outdoor da avenida dos meus sonhos.
De manhã, sou recebida por um postal de sol, que urge a raiar no meu deitar ensaiando acordar. Existe máscaras dentro de mim que impedem de sentir. Não sei dizer o motivo, talvez seja essa palavra, a sua singularidade, possa ter sido afastada por camadas de vento que distanciaram a sua definição do espaço que habito. Lavar, ver o rosto molhado frente do espelho, se perguntar a pessoa que está refletida é a mesma de ontem. São embates do nosso cinema, que a princípio continua sem público, formando cadeiras vazias. Nas salas de cinema não existem mais lanterninhas, que eram velhos, dominavam a linguagem cinematográfica, a modernidade tratou de enterrá-los e suprir a lacuna com garotos entristecidos que são movidos por ilusão e odeiam fazer o que fazem, assim, de repente, acordamos numa sala de exposições, rodeados de lamentações, raivas, carências, sexualidade, egoísmo, todos enfileirados ou não, mas certamente banalizados na sua totalidade. Bem vindos à desaceleração da sociabilidade humana, não precisa recorrer apenas à internet para saber que nossos passos estão presos na era do falar sem escutar. E cadê a saudade? Quem ouve?
Perdida, estou vendo um reflexo que não se identifica com a dona do corpo. No corredor da mente, existem várias de mim, todas penduradas por um cabide que os outros identificam de acordo com uma circunstancia.
Respostas vazias são o contra taque que defende a necessidade de ter outras pessoas em uma.
Não sei mais o caminho do jardim!
E no final só nos restam cadeiras vazias...
