As
coisas complicaram sem eu nem perceber. Não lembro quando foi que nosso amor
saiu do trilho, mas eu vejo o caos que a gente tá vivendo, eu vejo o tanto que
tá machucando do lado de cá, o tanto que tá doendo do lado de lá e o tanto do
lado de cá.
Tô sem saber o que fazer. Eu
me vejo andando de um lado para outro. Fico relendo nossas conversas para ver
se encontro o gatilho que desandou tudo… Nada. Não sei… Eu resolvo ignorar a
bagunça, que é pra gente ver se consegue se acostumar com ela, fingir que nada
há. Voltar de onde paramos, me ancorar na calmaria.
Lembro de você, como sempre.
Na música que tá tocando na rádio. No texto que escrevo e te descrevo — nos
descrevo. Na saudade com a qual aprendi a conviver, todos os dias. Na falta que
eu sinto, mesmo estando do lado, enquanto só me envia silêncio. Eu percebo
todas as vezes que a gente se deixa um pouquinho. Eu percebo a distância que
aumenta cada dia um tanto mais, e me vejo sem saber o que fazer. Sem saber como
fazer. Sem saber.
Eu te
amo, mas não sei… Amar, e só, não parece mais suficiente. Tô sem saber o que
fazer e volto a reler nossa conversa, pra tentar entender como as coisas
complicaram desse jeito. Eu queria saber tudo, ter a resposta na ponta da
língua, mas eu não sei. E a distância aumenta. E o desgaste aumenta — e
machuca. Somos um casal que se perdeu, em algum momento. Ou sempre foi assim e
nunca percebemos?
Vou continuar tentando
entender e, honestamente, vou continuar fingindo que está tudo bem, mesmo não
estando. Vou continuar ignorando essa distância que está, cada vez mais,
aumentando.
E
mesmo tudo caminhando para o fim, e mesmo que só amar não esteja bastando, eu
continuarei tentando mas, só até desistir...